Notícias

14/07/2021 14:30

#AldirBlanc - Curta-metragem "Sobre nós dois ninguém nunca vai saber de tudo" estará disponível a partir do dia 18/07

foto: Divulgação

Fruto de pesquisas sobre as expressões do patriarcado nas relações amorosas, o filme "Sobre nós dois ninguém nunca vai saber de tudo" estreia neste domingo (18), no Canal do "JA - Jangada de Arteducação" no Youtube. Ele é um curta-metragem, com roteiro e direção feitos de forma colaborativa e que usa a dança como forma de expressão das memórias, histórias e vivências de mulheres soteropolitanas. Chega aos olhos do público graças ao Programa Aldir Blanc Bahia, que patrocinou projetos culturais realizados no estado.

O projeto foi idealizado por  Carolina Miranda com co-idealização de Haíssa Brandão e Paula Marinho, três dançarinas, naturais de Salvador, na capital baiana. Assumindo o papel de proponentes e de "intérpretes-pesquisadoras-criadoras", dividiram o projeto em ciclos para compreender as diferentes fases de uma relação.

"Escolhemos trabalhar por ciclos, pois, assim como os arquétipos e os papéis estipulados para homens e mulheres se repetem na sociedade, eles também se fazem confundir em meio às suas repetições. E para enxergar a raiz do que nos afeta, precisamos olhar com minuciosidade, por sessões. Precisamos voltar alguns passos pra trás, precisamos analisar as nossas próprias escolhas, mas antes de tudo, precisamos querer enxergar, pois toca no mais profundo de cada um de nós. É preciso encarar os processos de tomadas de consciência ou os boatos de que esses são os jeitos naturais de ser, de tanto se repetir, vão ser tidos como verdade, como se conviver em violência fosse vida", defendem as intérpretes.

Cada um desses ciclos foi percorrido com orientação de uma diferente tutora cênica: Lara Machado, Tânia Bispo e Inaê Moreira. As reuniões foram realizadas por meio de sessões virtuais, a fim de manter o distanciamento social necessário em tempos de pandemia.

Além disso, a preparação também foi permeada por diversas pesquisas, como uma extensa busca por fotografias antigas das mulheres de nossas famílias, rodas de conversas e questionários abertos para que mulheres e também homens contassem como vivenciam seus afetos.

"Pensar a dança enquanto uma práxis artístico-educativa, que contribui na transformação de  problemas sociais e que vive o encontro com histórias pessoais, nos proporcionou estar em diálogo aberto com o outro. Constatamos nas falas trocadas que, as expressões do patriarcado vêm se mantendo vivas a constantes repetições nas experiências amorosas, em diversas nuances e tempos. E na manutenção desse sistema são colocados muitos borrões que às vezes não nos permitem ver a dimensão real das coisas", pontuam as dançarinas.

Essas percepções se misturaram às próprias experiências das intérpretes que traduziram as descobertas da investigação na linguagem dançada. O resultado final, roteirizado a partir das sínteses criativas dos ciclos de cada intérprete e construído por meio de uma troca com toda equipe, foi registrado pela diretora fotográfica Shai Andrade, que contou com assistência de Yan Onawale, e edição de Marcos Lé e coloração Filipe Louzado. A Direção de Arte é assinada por Zuarte Júnior e Alex Muniz compôs a trilha sonora.


CENTRO DE CULTURA
Além das intérpretes, um elemento que se sobressai como personagem do curta-metragem é a casa escolhida como locação. O filme foi gravado em uma residência antiga, situada na Rua Paraná, no bairro de Paripe.

"Entre as diversas razões que nos fizeram escolher essa residência está o fato de Paripe ter assumido, há alguns anos, a posição de um dos bairros mais negros da cidade e, por outro lado, figurar também no ranking dos mais perigosos. Por isso, ações artístico-culturais se fazem ainda mais importantes, a fim de apontar outros contextos, contribuir no reconhecimento, desenvolvimento e educação local. Além disso, é nesse ambiente que se encontra a parcela da sociedade que tem sua fala como protagonista nesse projeto: a mulher preta e periférica", explicam as intérpretes.

Diante desse contexto e convictas de que poderiam fazer mais do que contar uma história sobre relações que ultrapassam os limites do afeto e do respeito, as dançarinas aproveitaram a oportunidade para inaugurar a residência que já foi lar de uma família,  como casa cultural. Assim, junto ao filme, nasce o Ninho da Águia, novo espaço de cultura no subúrbio ferroviário,  chão para dar vida a muitos projetos artístico-culturais junto com a comunidade local e base para fazedores de cultura residirem suas ideias. É a atual sede do coletivo "Nagote Negaça", da "Calanga Djucurê"  e do mais recente coletivo formado pelas intérpretes: "JA - Janganda de Arteducação".



APOIO CULTURAL
O projeto tem apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal.


FICHA TÉCNICA
Roteiro Coletivo
Intérpretes/ pesquisadoras/ criadoras: Carolina Miranda, Haíssa Brandão e Paula Marinho
Tutoras/ Orientadoras/ Diretoras: Lara Machado, Tânia Bispo  e Inaê Moreira
Direção de Arte: Zuarte Júnior
Direção de Fotografia: Shai Andrade
Assistência de Fotografia: Yan Onawale
Edição e Montagem: Marcos Lé
Cor: Filipe Louzado
Trilha Sonora: Alex Muniz
Mixagem e Montagem: Alex Muniz e Leonardo Jesus
Músicos: Alex de João Pequeno (Alex Muniz), Mestre Jurandir (Jurandir Souza), Contra-Mestre Raimundo (Raimundo Júnior)
Participação Especial: Mestra Jararaca (Valdelice Santos)
Estúdio: Giba Estúdio
Fotografia (Still): Analu Abreu
Projeto gráfico: Carolina Albuquerque
Gerenciamento de Redes Sociais e Assessoria de Imprensa: Ailma Teixeira
Produção Local e Gestão: Francis Cardoso
Assistência de Produção: Alex Muniz

 

ACESSE O PROJETO

https://www.youtube.com/channel/UC2hdNNrjiUn_p0g22wK_g7w

Recomendar esta notícia via e-mail:

Campos com (*) são obrigatórios.