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04/04/2019 15:45

Nova estrutura da Cinemateca da Bahia foi lançada na quarta-feira (3) na sede da Dimas

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Marco histórico para o audiovisual baiano, foi lançada nesta quarta-feira (3) a nova estrutura da Cinemateca da Bahia, que reúne uma valiosa coleção cinematográfica, videográfica e documental, composta de aproximadamente 10 mil itens entre DVDs, películas, cartazes, revistas, boletins e mais.

O lançamento aconteceu na área externa da Diretoria de Audiovisual da Fundação Cultural do Estado (Dimas/Funceb), no Pelourinho, e reuniu cineastas, produtores, gestores culturais, atores, cinéfilos e artistas em geral. A animação do evento ficou por conta do Samba Chula de São Braz, dos alunos do Curso Profissional da Escola de Dança da Funceb e do VJ Caio Araújo, que fez Video Mapping durante a atividade, além dos comes e bebes.

Após as apresentações artistas, os convidados puderam fazer um tuor pela nova Cinemateca da Bahia. A diretora da Dimas, Daniela Fernandes, relatou que foram estabelecidas duas motivações para a gestão no ano passado: memória e difusão. “Esses dois tópicos estão sendo materializados a partir da reestruturação da Cinemateca da Bahia. E no campo da difusão destaco o Circuito Luiz Orlando, lançado em 2018, com exibições inicialmente nas 85 Escolas Culturais. O ano de 2019 abraça as diretrizes de ampliação em relação a isso”.

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A diretora-geral da Funceb, Renata Dias, disse que esta é “uma mudança que ocorre em função da necessidade na preservação deste valioso acervo, que agora tem seu acesso ampliado para o público. A atenção dedicada à dimensão da memória se faz ainda mais especial no atual momento político do país. São tempos em que narrativas vinculadas à supremacia emergem com o propósito de silenciar tudo o que seja o outro. Então, assegurar a salvaguarda deste acervo significa, neste momento, conservar as possibilidades de sobrevivência das contra narrativas que, por meio das artes, ousaram um dia desafiar a história oficial”.

O associado da Associação de Produtores e Cineastas da Bahia (APC), Eduardo Ayrosa, relatou: “eu vejo na Cinemateca uma importância muito grande, em vários aspectos. Os primeiros são a memória e educação. O cinema sintetiza uma geração, um momento histórico e pensamentos. É necessário a gente ter uma visão daquele momento, e poder olhar de hoje para reconstruir essa narrativa. A Cinemateca torna isso acessível e tem condições técnicas de preservar essa memória”.

A cineasta Íris de Oliveira contou que tem uma relação especial com a Dimas, pois sua formação como cineasta e realizadora iniciou com o contato com as salas de cinema Walter da Silveira e Alexandre Robatto: “O cinema é memória e a gente não cuida da nossa memória. Um projeto como esse demorou, e ter um espaço que cuide disso, que dê conta disso para a posteridade, para pesquisa, é fundamental. É um lugar onde a gente pode fazer as pazes com o passado para poder recriar uma imagem de futuro”.

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O escritor, cineasta e ativista social argentino, Carlos Pronzato, também esteve no evento, e opinou sobre a importância das cinematecas: “Já conhecia o acervo da Dimas, mas a Cinemateca dá um plus. Quando vou num outro país e preciso de material de arquivo, vou na cinemateca. Termos a Cinemateca da Bahia é fundamental, ainda mais sendo a Bahia, que é responsável por momentos importantes do cinema nacional, como o Cinema Novo. A cultura é o carro chefe da identidade nacional”.

Investimento no Audiovisual

Além do lançamento da nova estrutura da Cinemateca da Bahia, na ocasião foi apresentado o Edital Setorial do Audiovisual 2019, que vai investir R$ 20 milhões na produção, desenvolvimento e distribuição do audiovisual baiano.

A novidade foi elogiada e causou euforia entre os integrantes da classe. O cineasta e comunicador, Pola Ribeiro, ressaltou: “num momento tão conturbado na política brasileira, é muito bom que a gente esteja de casa nova, partindo para novos horizontes, lançando um edital que fomenta e que vai dar um impulso na produção local, e que está correspondendo. Pois o audiovisual responde quando ele é provocado. A Bahia tem uma vocação imensa pro audiovisual”.

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A cineasta, poeta e militante do movimento negro desde os anos 80, Urânia Munzanzu, relatou que “O setor audiovisual não funciona sem recurso, e se não tem um aporte do estado, tem muita gente na eminência de passar fome. É um edital histórico porque tem o suor e a labuta de muitas mulheres negras envolvidas. Um edital que tem essa preocupação de incluir indutores de raça, gênero e território, ele diz o que pensa essa gestão. Esse edital vai oxigenar o setor e não vai deixar morrer um cinema brilhante e potente, que é o cinema negro”.

“O edital era o mais esperado e a partir de todas as contribuições pudemos construí-lo. Estão com inscrições abertas e a gente traz inovações como a categoria de Games, a gente retoma a categoria Memória, a gente conseguiu captar o recurso completo junto a ANCINE, então a gente tem o maior edital de conhecimento dos últimos tempos”, finalizou a diretora da Dimas, Daniela Fernandes

Fotos: Elói Corrêa
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