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18/04/2018 10:00

Documentário sobre problemas estruturais do Brasil em debate na Walter

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O audiovisual como instrumento de reflexão em torno das questões brasileiras (Foto: Divulgação)

Como uma nova geração de brasileiros está pensando o futuro do país? Com essa e outras questões em foco, o documentário ''Brasil, País do Presente?'', de Gustavo Westmann, chega a Salvador  para  estimular um debate mais amplo sobre os problemas estruturais, que continuamos a enfrentar, em pleno Século 21.  No dia 23 abril, às 19h30, a Sala Walter da Silveira, acolhe a exibição da obra e promove um bate-papo, entre o cineasta e o público presente, logo após a projeção do filme.

A ação é resultado de uma parceria entre a Fundação Cultural da Bahia (FUNCEB), através da sua Diretoria de Audiovisual (DIMAS), e a Plataforma ''Taturana Mobilização Social'', que tem como objetivo distribuir gratuitamente produções voltadas à reflexão em torno de questões sociais brasileiras.

Diplomata e escritor, Westmann faz sua estreia como documentarista com ''Brasil, País do Presente?'' Preocupado em contornar a polarização atual nas discussões políticas, o realizador se dedica a tratar temas, que vão da educação e segurança pública, passando por corrupção, monopólio da mídia, economia e até o racismo. Em breve entrevista, o cineasta antecipou sua expectativa ao visitar a capital baiana - atualmente Gustavo reside na Indonésia, onde chefia o setor econômico e comercial da Embaixada do Brasil - além de destacar a importância democratizar a circulação do audiovisual nacional. Confira:

Na sua opinião, qual a importância de circular com o documentário pelo Brasil, através de sessões comentadas e disponibilizadas pela Plataforma Taturana de Mobilização Social? 

Gustavo Westmann - O documentário "Brasil, País do Presente?" nasceu como parte de projeto mais amplo voltado a estimular renovado debate sobre problemas estruturais do Brasil, para além da polarização atual. Para atingir tais objetivos, é fundamental que o filme possa circular Brasil afora, envolvendo novas vozes, de diferentes realidades. Apenas assim será possível identificar demandas emergentes, promover a tolerância e democratizar o debate em torno da construção de um país mais justo e igual, no qual interesses coletivos sejam colocados acima de vínculos pessoais. Mais do que um documentário, trata-se de um convite à reflexão.


Qual a sua expectativa para a sessão em Salvador? Além da Sala Walter, há uma sessão agendada para um espaço cultural do subúrbio da cidade. É possível constatar um forte movimento cultural nas periferias das grandes cidades brasileiras. Como encara a oportunidade dessa troca de experiências?

Westmann - Desde pequeno sempre tive uma relação especial com Salvador. Queridos amigos, carnavais, praias, Pelourinho, a energia da cidade... Levar o documentário para a Sala Walter é uma grande honra. Um espaço que sempre admirei, um espaço privilegiado de cultura, que reúne, agrega, encanta. Mas o que torna Salvador tão especial vai além do "centro" da cidade. É nos subúrbios que se encontra grande parte dessa cultura maravilhosa, a voz do verdadeiro brasileiro, trabalhador, que sofre com a crise atual como todos os demais. Precisamos ouvir essas vozes, dialogar, receber criticas, agregar, envolver o subúrbio mais ativamente nos debates. Não vejo a hora de levar o debate para a Bahia.


O documentário tem encontrado meios alternativos de distribuição e com isso ampliado gradativamente o seu publico e espaço na cena audiovisual brasileira. Você considera que o registro documental já é hoje uma instância importante de reflexão e entendimento da realidade do País?

Westmann -  Fazer arte no Brasil continua sendo um grande desafio, uma luta quase diária para ganhar espaços e desviar as atenções dos produtos gerados pela grande mídia e pelas telenovelas. Tive grande sorte de encontrar o pessoal da Taturana no meio do caminho, com uma proposta alternativa e um viés social para a divulgação e distribuição do audiovisual no Brasil. Quando nasceu a ideia do documentário, enfrentei muitos obstáculos, mas em momento algum cogitei desistir desse sonho.  Por meio da linguagem audiovisual, acredito ser possível discutir com um número muito maior de pessoas temas considerados complexos, de difícil acesso e restritos a uma elite intelectual anacrônica.  O audiovisual brasileiro tem evoluído muito nessa direção e hoje tenho certeza de que estou trazendo importante contribuição para a reflexão e entendimento da realidade do País. 
 

Serviço
''Brasil, País do presente?'' (BRA, 2018), de Gustavo Westmann. Exibição seguida de bate-papo com o realizador, dia 23 de abril, às 19h30. Entrada franca.

 Onde
Sala Walter da Silveira (Rua General Labatut, n 27 - subsolo da Biblioteca Pública dos Barris - Fone: 3116-8124)
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