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07/03/2018 09:50

Sala Walter acolhe exibição especial de "Abdias Nascimento Memória Negra", como parte da programação do Fórum Social Mundial

abdias
Foto: Cartaz de Divulgação

Pela abrangência do pensamento e importância cultural do legado do multiartista Abdias Nascimento, o conjunto de atividades programadas pelo Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (IPEAFRO), durante o Fórum Social Mundial, a ser realizado em Salvador de 13 a 17 de março, ganha ainda mais relevo com lançamento de livros (reedição do clássico "O Genocídio do Negro Brasileiro" e biografia ilustrada de Abdias, publicada pelo Senado Federal como parte da coleção "Grandes Vultos que Honraram o Senado"); mesas de debates, slam de poesia e a exibição do documentário, "Memória Viva", do baiano Antonio Olavo, no dia 16/03, às 19h, na Sala Walter da Silveira, no Complexo Cultural dos Barris. Complementando a projeção do filme, haverá recitação de poesia com Milsoul Santos e artistas locais, e conversa com o diretor do doc, Antonio Olavo, o professor Kabengele Munanga e Elisa Larkin Nascimento, viúva de Abdias e autora da biografia.

Cidadão baiano
A coincidência das datas - 14/03 é referência para o movimento negro brasileiro, pois marca a passagem do natalício de Abdias - também amplia o caráter simbólico e histórico das atuais ações. Isso somado ao fato de Abdias Nascimento, natural de Franca/SP, ter recebido, em vida, os títulos de Cidadão Soteropolitano, outorgado pela Câmara Municipal em 2007, e de Cidadão Baiano, outorgado pela Assembleia Legislativa em 2009. Foi homenageado pelo Olodum e pela Secretaria de Cultura da Bahia, entre outros. Tanto a UFBA como a UNEB, ambas parceiras do Fórum Social Mundial na capital baiana, lhe outorgaram o título de Doutor Honoris Causa.
Inserida no tema "19, Vidas Negras Importam", a programação tem o apoio da UNEB, da UFBA, Coletivo Luíza Bairros e Programa de Direito e Relações Raciais (UFBA), da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN), Fórum Negro de Artes Cênicas, Odara Instituto da Mulher Negra, Biblioteca Abdias Nascimento (Subúrbio Ferroviário), Coletivo Boca Quente e Sarau da Onça, Soweto Organização Negra, Acosta Produções Artísticas e Vida Brasil, além da Fundação Cultural da Bahia (FUNCEB).

Identidade afro-brasileira
Para o cineasta Antonio Olavo, convidado pelo IPEAFRO para apresentar seu essencial documentário sobre a figura e a amplitude do pensamento de Abdias, é uma alegria fazer seu trabalho chegar a novas gerações de espectadores. Olavo comenta, em breve entrevista, sobre seu permanente empenho em fazer circular a obra e reafirma a atualidade e importância de Abdias para a consolidação de uma identidade afro-brasileira. Confira:

Qual a expectativa de integrar com o documentário "Memória Viva", o conjunto de atividades do FSM 2018?
Antonio Olavo -
Circular com meus filmes, é coisa que faço amiúde. Tenho quatro longas-metragens e todos circulam amplamente nos espaços alternativos, como a escolas, centros culturais, terreiros de candomblé, igrejas, bibliotecas, entre outros. Com este filme "Abdias Nascimento Memória Negra", não é diferente, sempre, sempre, ele é exibido, algumas vezes com minha presença, e na maior parte delas sem mim. Essa apresentação dentro do FSM tem um significado especial, uma vez que, exatamente, no dia 17 de março, completa 10 anos que o filme foi lançado em première, numa apresentação memorável no Teatro Castro Alves lotado, com a presença honrosa de Abdias Nascimento, sua esposa Elisa Larkin Nascimento, além de outras personalidades que aparecem no filme, como o grande Toni Tornado. Era 16 de março de 2008 e dois dias antes, Abdias tinha completado 94 anos. Foi uma noite inesquecível, marcante para quem lá esteve; o filme foi aplaudido 14 vezes em cena aberta, chancelando o início de uma carreira vitoriosa.

Na sua opinião, quais contribuições destacaria no vasto e sempre atual pensamento de Abdias Nascimento para a reflexão sobre o momento político e social brasileiro?
Olavo -
Abdias nasceu em 1914 e nos deixou em 2011. Ao longo de mais de 75 anos, ele esteve participando das grandes lutas históricas do povo negro no Brasil, foi membro da Frente Negra Brasileira, Fundou o Teatro dos Sentenciados na Penitenciária de Carandiru, fundou o Teatro Experimental do Negro, organizou o I Congresso do Negro Brasileiro, fundou o Museu de Arte Negra, participou da fundação do MNUCDR, foi Secretário de Estado, deputado e senador...Entre muitas outras atividades. Então, eu creio que a obra, o pensamento e atuação política de Abdias Nascimento são essenciais para a afirmação da identidade afro-brasileira. Uma identidade mais do que nunca necessária de ser afirmada, principalmente nos dias atuais, onde os direitos sociais e as poucas conquistas do povo negro estão sendo destruídas ou ameaçadas. O legado de Abdias é uma grande referência para continuar a luta por uma sociedade justa, sem preconceito racial.

Confira a programação aberta ao público:
Dia 14 de março (quarta-feira)

Abertura com performance poética musicada de Nelson Maca. Debate sobre o livro "O Genocídio do Negro Brasileiro", com Kabengele Munanga (UFRB), Marluce Macedo (UNEB), Samuel Vida (UFBA) e Sandro Sussuarana (Sarau da Onça). Lançamento da nova edição do referido livro e da biografia de Abdias Nascimento. Horário: 8h30
Local: Teatro Martim Gonçalves, Escola de Teatro da UFBA - sujeito à lotação do espaço

Dia 15 de março (quinta-feira)
Slam Abdias / Troféu IPEAFRO Sankofa. Atrações: DJ Bieta, Coletivo Boca Quente, Sarau da Onça, poeta Giovane Sobrevivente, Maestrina Elem e Banda Meninos da Rocinha do Pelô. Sessão de autógrafos dos livros.
Horário: 16h
Local: Sala Mestre King - Sede da Funceb (Pelourinho) - sujeito à lotação do espaço

Dia 16 de março (sexta-feira)
Filme "Abdias Nascimento Memória Negra", do cineasta baiano Antonio Olavo. Recitação poética com Milsoul Santos e artistas locais. Conversa com Antonio Olavo, professor Kabengele Munanga e Elisa Larkin Nascimento, viúva de Abdias Nascimento e autora da biografia. Sessão de autógrafos dos livros.
Horário: 19h
Local: Sala Walter da Silveira (Barris) - sujeito à lotação do espaço (200 lugares)

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