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06/02/2018 10:00

Diretora da DIMAS fala de políticas públicas, ações e perspectivas na área

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Foto: Dora Monteiro

Bacharela em Direito pela Universidade Católica do Salvador e bacharelanda em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Daniela Fernandes é a nova diretora de Audiovisual, da Fundação Cultural do Estado/SecultBA. Foi produtora executiva na Griot Filmes e sócia fundadora do Laboratório Audiovisual, que estruturou a plataforma de mercado NordesteLAB. Trabalhou em diversos eventos cinematográficos e em produções de curta e longa-metragem.Confira entrevista com Daniela Fernandes e saiba mais sobre as perspectivas do setor, na Funceb:

1 - Funceb - Como sua trajetória no Audiovisual chega, neste momento, para ajudar a Fundação Cultural do Estado no que tange às políticas do setor?
Daniela Fernandes -
Antes de trazer meus possíveis predicados acadêmicos e de produção gostaria de situar meu lugar de fala. Sou uma mulher negra, oriunda da periferia de Salvador, que ao longo da vida teve acesso e oportunidades por conta de uma mãe que rompeu com a trajetória de subempregos da família e decidiu estudar. E Angela Davis quando esteve na Bahia afirmou que “quando uma mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela.” Acredito que movimentar de alguma maneira os espaços de poder é o primeiro passo. Inicialmente, minha aproximação com as artes se deu através do interesse pelo Direito de Autor e os Diretos Culturais, já que minha primeira graduação foi em Direito. Participei de experiências de trabalho cujo perfil é mais no campo colaborativo, fiz parte de alguns coletivos de audiovisual nos últimos oito anos. Outro ponto importante, para minha formação, é que voltei para a graduação em Cinema e Audiovisual em uma universidade nova, a UFRB em Cachoeira, fruto das políticas de interiorização da Educação. A partir de 2010, minha atuação sempre passou pela participação em instância de debate, em associações e nos espaços de construção de políticas para o Audiovisual na Bahia e no Brasil. Nestas, conheci pessoas fundamentais que me fizeram acreditar na possibilidade de contribuir com a DIMAS e a FUNCEB neste momento.


"Penso que nossa maior contribuição tem base num tripé: não perder o que já foi feito, buscar caminhos para o que está parado e, sobretudo, fazer como aprendi, junto com a participação dos meus pares, ouvindo as experiências prévias, diagnosticando as demandas contemporâneas e estando atentos com a necessidade de inovar. "


2 - Funceb - Como você vê o cenário baiano atualmente, quanto à produção, distribuição, fomento?
Daniela Fernandes -
A Bahia encontra-se com o mercado aquecido do ponto de vista da produção, estamos contextualizados com a realidade nacional a partir do advento da Lei 12.485/2011. As produtoras estão ganhando muitas chamadas públicas nacionais, trazendo recursos para o estado da Bahia, e o governo do estado tem realizado investimentos em parceria com o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), gerido pela Agência Nacional do Cinema (ANCINE). Segundo pesquisa coordenada por André Araújo (UFBA) e financiada pelo Fundo de Cultura do Estado da Bahia, entre 2008-2016, foram investidos R$120 milhões no audiovisual baiano através dos diferentes mecanismos de fomento (municipal, estadual e federal). Destes, o Governo do Estado foi responsável por 29% dos recursos e o Governo Federal 70%, ficando 1% do município de Salvador. Isto é significativo do ponto de vista do fomento, contudo, importa termos clareza de que a maior parte do recurso foi investido no elo da produção. Já o campo da distribuição precisa ser olhado de maneira mais detida, pois, temos uma demanda grande de filmes sendo produzidos que ainda não circularam. Dos 58 filmes financiados pelo Fundo de Cultura entre 2008 e 2016, apenas 18 estrearam comercialmente.


"Por este motivo pactuamos entre Dimas, Funceb, Secult e sociedade civil, a construção de um Grupo de Trabalho para desenhar o Circuito Alternativo de Exibição, cujo direcionamento será o atendimento ao público da capital e do interior. Vale destacar, a contínua solicitação da Associação de Produtores e Cineastas (APC/BA) quanto à construção deste circuito e que serão convidadas outras entidades, como a Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro (APAN) e a associação de Games e Animação (GAMA), além de entes da Secult e de outras Secretarias.
Assim, constituir o GT visa estruturar uma política voltada para a ampliação dos espaços de exibição e, consequentemente, para a distribuição dos conteúdos produzidos na Bahia."


3 - Onde e como você visualiza que a DIMAS deve estar inserida neste contexto?
Daniela Fernandes -
A Diretoria de Audiovisual precisa ser agente protagonista da política pública para a linguagem audiovisual, temos um contexto nacional favorável, precisamos buscar formas de aproveitá-lo em tudo que estiver ao alcance da Diretoria. Para tanto, é necessário planejar, assim como a Funceb está fazendo no momento. E planejar passa por fazer a análise das áreas que conseguimos avançar e os pontos que ainda estão carentes. Estamos em fase de diagnóstico por área e recompondo nosso organograma, além de estarmos desenvolvendo o planejamento interno das ações e parcerias da Diretoria.

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Equipe da DIMAS (Foto: Jack Elesbão)

4 - Quais são os principais desafios para isso e como você pretende trabalhá-los?
Daniela Fernandes -
Desafios são muitos quando se pensa em estabelecer políticas estruturantes para uma linguagem artística, ainda mais quando observamos a complexidade do audiovisual. Destacamos, a necessidade de interiorizar as ações, estabelecer políticas com recorte de gênero e etnia numa perspectiva de equidade e com a presença de indutores em nossas ações, além de ser fundamental promover a difusão do audiovisual. Temos ainda demandas em áreas específicas como desenvolvimento, formação técnica e mediação cultural, porém para conseguirmos atender, precisamos ter uma ordem de prioridade construída em etapas. Para exemplificar um modelo de trabalho que já iniciamos neste primeiro mês, podemos falar sobre a área da memória e preservação. Neste momento, estamos dialogando sobre o esboço para uma política de preservação audiovisual, texto que construiremos numa parceria entre o nosso Núcleo de Memória e o projeto Filmografia Baiana. Ao tempo que retomamos o projeto da Cinemateca da Bahia, através da requalificação e ampliação do espaço, melhoria no acondicionamento dos filmes, busca por parcerias com instituições como as escolas de Museologia, Arquivologia e Biblioteconomia da UFBA, além da cooperação técnica que será efetivada com a UFRB.


"Nosso mantra, atualmente, na Diretoria é fazer acontecer! Estamos com o olhar e ouvidos bastante atentos ao que nos trazem a sociedade, mas, com os pés no chão quanto as reais condições de execução da Diretoria neste momento."


5 - O que esperar deste caminho do Audiovisual na Bahia, sob a nova gestão da Funceb e com a sua chegada?
Daniela Fernandes -
A Diretoria de Audiovisual é composta por profissionais muito competentes e a Funceb está trilhando uma nova trajetória de reestruturação e planejamento, assim, resumo nosso horizonte num trecho de música: "sonho que se sonha só, é só; sonho que sonha junto, é realidade" (Raul Seixas).
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