OFICINA: OITO FACES DO CINEMA CONTEMPORÂNEO

POR ANDRÉ SETARO

Objetiva introduzir o aluno à linguagem e à estética da arte do filme. Considerando que a maioria das pessoas que vai ao cinema somente se preocupa com a história, a trama, o enredo, a oficina tem o propósito de desvendar que o cinema não se resume, apenas, ao elo semântico, mas a sua plenitude se estabelece pela conjunção entre o elo sintático (a linguagem, a maneira pela qual o realizador cinematográfico articula os elementos desta em função da explicitação do tema, do assunto) e o elo semântico (a significação em si). Muitas vezes, nos filmes dos grandes cineastas, a significação não advém, apenas, da história, ou seja, do elo semântico, mas da utilização dos elementos da linguagem cinematográfica, isto quer dizer, do elo sintático, da narrativa.

Nesta terceira oficina, que se procurou denominá-la de OITO FACES DO CINEMA CONTEMPORÂNEO, privilegiou-se a investigação sobre alguns realizadores que ainda resistem à crise de criatividade da cinematografia atual, optando pela concentração nos filmes feitos a partir dos anos 90, à exceção de Paris Texas, de Wim Wenders, que é de 1984, mas obra que sinaliza o que viria a seguir. Procurou-se, também, a versatilidade nas abordagens temáticas. O cinema de invenção de Peter Greenaway, que, sobre ser polêmico, não possui unanimidade na apreciação de suas obras. A cinematografia chinesa e insólita de Zhang Yimou, que se crê um ponto de vista singular no olhar a realidade, e a singularidade da mise-en-scène de um David Lynch. Não se poderia esquecer, a se tratar do cinema contemporâneo, do dinamarquês Lars Von Tier, que aqui comparece em Dogville. E Wong Kar-wai é um cineasta estabelecido como um instigante fabulador oriundo de uma cinematografia ainda considerada exótica, mas muito aplaudido. Assim como o Pedro Almodóvar da maturidade e a nova revelação e esperança do cinema americano, estampada em Paul Thomas Anderson. Há omissões por causa da limitação do número de aulas.

A oficina está programada em 9 (nove) aulas, uma vez por semana, às quartas, das 20 às 22 horas, com uma carga horária total de 16 horas. Com 25 vagas. Local da realização: Solar da Esquina, Largo de Santana, Sala 7 (casarão ao lado da "Acarajé de Regina" e em frente à casinha, que fica do outro lado da rua, de Yemanjá).

Data: de 16 de julho a 10 de setembro (data da última aula).Inscrição: a matrícula se dá com a apresentação do depósito de pagamento no banco da quantia estipulada, que é a de R$250,00 (duzentos e cinqüenta reais). Cada participante vai receber um kit com os oito filmes do programa. Feito o depósito, o candidato deve guardar o comprovante e enviar um e-mail notificando de sua realização. A entrega do comprovante deve ser feita obrigatoriamente quando da primeira aula.

Para maiores informações: e-mail para setaro@gmail.com Meus telefones: 3247.2290 e 88067572
Dados: Banco do Brasil. Agência: 3457-6. Conta: 648.427-1. Em nome de André Olivieri Setaro.
Quem se interessar pela oficina, escreva para o e-mail acima para que possa enviar, imediatamente, o programa.

IMPORTANTE: AO FINAL DO CURSO, CONFERIDO UM CERTIFICADO ASSINADO POR MIM.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

1)  16.07.08. Apresentação do conteúdo programático da oficina. O elo sintático e o elo semântico. A vocação narrativa do cinema. A fábula e a narrativa no discurso cinematográfico. As estruturas da narrativa. Os lugares da fábula. O ponto de vista da narrativa. Filmes não-narrativos e filmes metanarrativos. Sem discussão de filme específico.

2)   23.07.08. O cinema de Wim Wenders e suas constantes temáticas e estilísticas. A procura da identidade perdida on the road. A sua influência no cinema contemporâneo. Os elementos de fabulação e a estrutura narrativa: PARIS, TEXAS (Paris, Texas, 1984), de Wim Wenders.
3)  30.07.08. As metáforas do autor sobre a sociedade inglesa e o próprio cinema. A metalinguagem utilizada. A maneira pela qual estabelece o exercício da produção de sentidos. Os elementos de sua fabulação e a estrutura narrativa: O COZINHEIRO, O LADRÃO, SUA MULHER E O AMANTE (The cook, the thief, his wife and her lover, 1989), de Peter Greenaway.

4)   06.08.08. A simetria rigorosa da mise-en-scène. O tema e sua explicitação sintática. A descoberta de uma cinematografia exótica e essencial. O modo fabulístico e a estruturação narrativa: LANTERNAS VERMELHAS (Da hong deng long gao gago gua, 1991), de Zhang Yimou.

5)   13.08.08. O conceito de tempo e de espaço cinematográficos e a plástica da imagem. Os contornos cenográficos em função da dramaturgia estabelecida. O cinema insólito de Lars Von Triers. Seus elementos fabulatórios e a sua narrativa: DOGVILLE (Dogville, 2003), de Lars Von Triers.

6)   20.08.08. A procura do descondicionamento do espectador em relação à compreensão da fábula. A violência escatológica, o grotesto e a caricatura. Fábula e narrativa em processo de contrariedade. A trajetória lynchiana e sua concepção de uma estrutura audiovisual dilacerante: CORAÇÃO SELVAGEM (Wild at heart, 1990), de David Lynch.

7)   27.08.08. A significação advinda de pequenos gestos e detalhes. Do particular para o universal e o tempo como mola propulsora da estrutura narrativa. O cinema original de Kar-wai que faz emergir, de um love affair oculto, a expressão de um cinema dotado de singularidade: O AMOR À FLOR DA PELE (In the mood for love, 2000), de Wong Kar-wai.

8)   03.09.08  Os recursos melodramáticos da dramaturgia cinematográfica como meios de análise do comportamento humano. A mise-en-scéne inspirada e o elo sintático que determina a eclosão dos significados. Os elementos da fabulação almodovariana e particular estrutura audiovisual: Fale com ela (Hable con ella, 2002), de Pedro Almodóvar.

9)   10.09.2008 A estrutura narrativa polifônica que forma um afresco, com acentos de surrealidade, do american way of life. A influência de Robert Altman na base da configuração narrativa. Filme importante do realizador de Sangue negro. A sua fabulação decorrente de um estilhaçamento de momentos: MAGNÓLIA (Magnolia, 1999), de Paul Thomas Anderson.

 

 

 

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